O Tripé Macroeconômico: As lições dos anos FHC, Lula e Dilma-Temer

Capas da revista The Economist em dois momentos. Na esquerda, uma edição de 2009, no final dos governos Lula. O tripé econômico já estava em vigor a 10 anos, o que fez o Brasil prosperar economicamente. Foi um sucesso total. Na direita, uma edição de 2013. Dilma trocou a política do tripé macroeconômico pela a da Nova Matriz Econômica, que fez broxar a economia brasileira. As capas dizem tudo.

Neste ano de eleições, um dos assuntos discutidos nas campanhas foi o “tripé macroeconômico.” Jair Bolsonaro aparentemente nunca tinha ouvido falar no tripé econômico. Já Fernando Haddad, que entende e apoia em privado a política do tripé, tem hesitado a declarar publicamente esse apoio, talvez com receio de ofender alguns membros de seu partido e dos outros partidos de esquerda, especialmente os que foram “indoutrinados” a reflexivamente condenar a política do tripé macroeconômico.

O que é esse tripé?   Descrevo aqui resumidamente alguns pontos principais ligado ao tema, dentro do contexto histórico dos anos posteriores à redemocratização e a nova constituição de 1988.

Quase todo programa de governo depende de verbas. Seja a segurança pública, seja educação, seja saúde, as políticas adotadas tem dependência direta na solidez da economia. Qual, então, deveria ser a política econômica ideal para o Brasil? Sem uma economia sólida, não há como financiar os programas de governo.

Estudando a história econômica dos países que prosperaram e dos que afundaram economicamente, podemos concluir que o Brasil precisa de uma economia aberta e globalmente integrada, com câmbio flutuante e independência ou pelo menos autonomia operacional para o Banco Central. Nesse contexto, podemos nos perguntar: Nossos presidentes foram bem sucedidos? A seguir faço um resumo dos sucessos e fracassos econômicos de Fernando Collor, Itamar Franco, FHC, Lula, Dilma e Temer.

Collor foi um desastre. Preciso explicar?

Itamar Franco e FHC conseguiram acabar com a hiperinflação e estabilizaram a economia com o Plano Real. A queda na inflação ajudou milhões de brasileiros a saírem da pobreza, pois na época somente a classe média e os mais ricos tinham contas bancárias indexadas à inflação, que roubava o pouco dinheiro que os pobres ganhavam.

Subsequentemente, Lula deu continuidade à política econômica anterior, até mesmo garantindo ao Banco Central autonomia operacional. Lula herdou o programa Bolsa Escola da gestão anterior e o transformou, criando o Bolsa Família, que ajudou a tirar da pobreza dezenas de milhões de pessoas, inclusive famílias inteiras. Antonio Palocci possivelmente foi o melhor Ministro de Fazenda desde a ditadura militar. Considero o programa Bolsa Família um dos maiores sucessos do Brasil.

Já a dupla Dilma-Temer infelizmente levou ao retrocesso. Dilma efetivamente tirou a autonomia operacional do Banco Central, que então se sentiu pressionado a reduzir os juros mesmo quando a inflação estava subindo. Resultado? Recessão econômica, inflação alta e quedas em investimento. Com a exceção de simpatizantes de Dilma, quase todo mundo concorda que os anos Dilma-Temer foram desastrosos.  Até o Lula reclamava de Dilma…

O próximo presidente portanto deveria retornar às políticas que deram certo e evitar ideias malucas. Por exemplo, a chamada “Nova Matriz Econômica” foi fruto de desconhecimento econômico.  Seria cômico se não fosse trágico, pois levou a uma das piores crises econômicas dos últimos anos.

Se a Nova Matriz Econômica não vingou, então o que funciona? Já se sabe! Deu certo o chamado “Tripé Macroeconômico” do segundo mandato de FHC e dos dois governos do Lula. O tripé consiste de 3 pilares. Simplificando um pouco:

  1. Metas fiscais: Esse pé do tripé é o único que cabe inteiramente ao governo. A ideia é que o governo tente controlar os gastos para não ficar deficitário. Ou seja, a ideia é tentar gastar não mais do que as receitas: As contas têm que fechar. Um superavit gera confiança no futuro. Obviamente, em anos das vacas magras a meta poderia contemplar deficits. O importante é entender que a mera existência de tal meta já aumenta a confiança no setor privado, que então tende a aumentar investimentos, etc., ajudando assim a gerar e sustentar um ciclo econômico virtuoso.
  2. Metas de inflação: O governo escolhe apenas a meta de inflação e delega para o Banco Central o combate à inflação. Uma meta de inflação crível permite planejamento econômico de médio e longo prazo. Um Banco Central autônomo ou independente faz com que o combate à inflação e a escolha das taxas de juros sejam imunes às pressões políticas dos governantes. Sabemos que muitos políticos são desonestos e incompetentes e é por isso que nos país ricos os Bancos Centrais são independentes. Aqui no Brasil, nosso Banco Central ainda está a mercê dos políticos, infelizmente.  Veja meu artigo sobre esse assunto aqui.
  3. Câmbio flutuante: Quando o câmbio não é flutuante, fica difícil atingir o equilíbrio entre oferta e demanda de dólares etc. Antes do 1999, por exemplo, o Banco Central torrava as reservas internacionais para defender o o Real. O câmbio flutuante permite que a própria economia tente encontrar o preço que equilibra a oferta e demanda. Antes de 1999, o governo tentava as vezes controlar a inflação indiretamente via manipulação do câmbio. Desde 1999, o controle da inflação é feita via as taxas de juros (taxa SELIC por exemplo).

FHC e Lula mantiveram o tripé macroeconômico. Tiveram êxito. Dilma jogou fora o tripé e colocou no seu lugar a fracassada Nova Matriz Econômica. Acho que essa jogada foi o pior erro de Dilma, pois com a economia em plena queda livre ela sofreu impeachment e foi substituída pelo seu vice, Michel Temer. Idealmente o próximo presidente deve seguir os passos de FHC e Lula e não os da chapa Dilma-Temer.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s