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Como a Política do Tripé Macroeconômico traz benefícios ao Brasil no Comércio Exterior?

[Este artigo convidado foi escrito por Tanyara Clarise como trabalho de redação na disciplina Economia Brasileira, que faz parte do curso de Comércio Exterior no IFRN de Natal−RN. A redação ganhou nota máxima na disciplina.  No contexto atual do novo governo federal e da importância do comércio exterior para o futuro econômico do Brasil, achei interessante compartilhar o trabalho dela neste blog. Tanyara é licenciada em Física pelo IFRN e também foi aluna do curso de bacharelado em Física pela UFRN por alguns anos.  Em 2018, mudou de área e voltou para IFRN para cursar Comércio Exterior.   —Gandhi]


Como a Política do Tripé Macroeconômico traz benefícios ao Brasil no Comércio Exterior?

 

Tanyara Clarise Abdias

 

Segundo Kanitz, o Tripé Macroeconômico consiste em um conjunto de três pilares: câmbio flutuante, metas fiscais e metas de inflação. Isso, para os economistas, traz equilíbrio econômico essencial para que haja crescimento. Nisso, existe tanto defensores quanto críticos dessa política: Uns acreditam que o Estado deve apenas gerar condições para que o país se desenvolva e outros acham que o Estado tem de incentivar esse desenvolvimento.

Cada um desses pilares têm uma importância para a estabilidade econômica. Conforme Gandhi Mohan (2018) a Meta Fiscal trata-se do único pé do tripé que cabe ao governo toda responsabilidade. O intuito é que o governo controle as despesas para não ficar devendo. Ou melhor, tentar gastar não mais do arrecada, os cálculos têm que fechar. Um superavit gera credibilidade no futuro. Com isso, o fato de existir tal meta já aumenta a credibilidade nos setores privado. Isso tende a aumentar o capital estrangeiro, contribuindo para uma economia mais sustentável.

Um outro pé do tripé é a Metas de Inflação, que permite planejamento econômico de médio e longo prazo. Quando a inflação não está sobre controle fica difícil fazer esse planejamento, devido à variações de preços. A intervenção do governo é mínima, que escolhe apenas qual a meta, e delega o combate à inflação para o Banco Central. E nessa missão, autonomia e independência do Banco Central fazem com que escolha das taxas de juros sejam isentas de pressões políticas dos governantes. Ou seja, isso traz grandes benefícios para a economia e evita estratégias erradas no combate da inflação, diz Gandhi Mohan (2018).

Outro pé do tripé é a Política de Câmbio. O Câmbio quando é controlado, ou seja, quando não é flutuante, fica difícil atingir o equilíbrio entre oferta e demanda de dólares. Para Politize (2018) no câmbio flutuante a própria economia tenta encontrar o preço que equilibra a oferta e demanda. Isso, permite que o mercado defina o preço do real, elimine a sobrevalorização ou subvalorização da nossa moeda e, sendo assim, os impactos negativos que isso causa no balanço de pagamentos. A taxa de câmbio deixa de ter o papel principal no controle da inflação, e, sim, por via taxa de juros (como SELIC), evitando, assim, o uso de recursos das reservas internacionais para combater à inflação.

Com relação a Comércio Exterior a Política do tripé macroeconômico pode trazer benefícios ao Brasil. Primeiro, a meta fiscal traz uma visão positiva do país na órbita global. Isto é, um país com as contas em dia passa a confiança que investidores estrangeiros precisam para “abrir os bolsos”, além disso, para fazer e aprofundar as parcerias no mercado internacional. Em segundo, vem a meta de inflação que faz com que haja melhor planejamento dos exportadores à médio e longo prazo, disso terão como estabelecer medidas de prevenção, de investimento, logística para vendas de mercadorias. E a política de câmbio flutuante evita que a intervenção estatal prejudique o comércio. Assim, “sem amarras para decolar”, o comércio pode seguir seus próprios passos de acordo com a economia.

Entre o final da década de 90 e anos 2000, o Brasil pôde experimentar esses benefícios do tripé. Segundo o BBC, após as frustrações sofridas, no final da década de 80, veio Itamar Franco e FHC que conseguiram acabar com a hiperinflação e estabilizaram e economia com uso do tripé macroeconômico. E isso trouxe solidez e credibilidade para o Brasil com os outros parceiros comerciais. Ainda, conforme o BBC, com conjuntura econômica favorável no plano externo, o Brasil surfou nessa onda de crescimento como poucas vezes tinha tido a oportunidade de fazê-lo em sua longa história como exportador de commodities. Nisso, a demanda externa representou, de fato, um grande estímulo ao crescimento econômico no Brasil.

Assim, embora alguns economistas achem que a política do Tripé Macroeconômico não represente o melhor caminho para a economia do Brasil, por outro lado foi o tripé que contribuiu positivamente para que nossa economia pudesse crescer durante uma década. O tripé trouxe continuidade, credibilidade e estabilidade para o comércio no contexto mundial.

 


Referências

BBC. Referência obtida na Internet <https://www.bbc.com >. Acesso em dez/2018.
BNDES. Referência obtida na Internet.<http://www.bndes.gov.br >.Acesso em dez/2018.
COMEX DO BRASIL obtida na internet.<https://www.comexdobrasil.com >. Acesso em dez/2018.
GANDHI, Mohan. Referência obtida na Internet <https://gandhiviswanathan.wordpress.com >. Acesso em dez/2018.
FUNDAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR-FUNCEX. Referência obtida na Internet. <http://www.funcex.com.br >. Acesso em dez / 2018.
INVESTEX PORT BRASIL. Referência obtida na Internet.< https://investexportbrasil.dpr.gov.br >. Acesso em nov/ 2018.
KANITZ. Referência obtida na Internet <http://blog.kanitz.com.br/tripe-economico >. Acesso em dez/2018.
POLITIZE. Referência obtida na Internet <https://www.politize.com.br >. Acesso em dez/2018.
MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES. Referência obtida na Internet.<http://www.mre.gov.br >. Acesso em nov/2018.
THE GLOBAL ECONOMY. Referência obtida na Internet <https://www.theglobaleconomy.com/ >. Acesso em dez/ 2018.

Mini-documentário sobre Física na UFRN feito por alunos de ensino médio

Dennis Albert e Hilquias Abias, alunos de ensino médio em Extremoz−RN, fizeram um mini-documentário sobre Física na UFRN. Por iniciativa própria, vieram até a UFRN me entrevistar. Compartilho aqui o vídeo: