Haddad ou Bolsonaro: Quem é melhor?

Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada.

Otto von Bismarck

1. Caveat Emptor

Os candidatos para Presidente da República, Fernando Haddad e Jair Bolsonaro têm ideais bastante diferentes não somente sobre a política científica (veja aqui) mas sobre quase todas as questões importantes para o futuro do Brasil.  Essa eleição portanto representa uma bifurcação:  Os brasileiros vão escolher entre dois futuros bastante diferentes.

Nesse contexto, seu voto é importantíssimo. Muitos dos que votaram em eleições anteriores depois tiveram remorso de comprador! Venho abordar, pra você meu caro leitor, algumas ideias sobre critérios para escolher entre os dois candidatos.

Reflita, pense, sinta, respire e somente então decida. Vote com sua consciência!

2. Ciência e o autoritarismo

A ciência efloresce em sociedades abertas. A ideia de sociedade aberta foi concebida por Henri Bergun nos anos 1930. No seu livro sobre o assunto, Karl Popper descreve a sociedade aberta como sendo governada democraticamente via instituições e mecanismos transparentes. Ou seja, a sociedade aberta é uma sociedade não-autoritária. O autoritarismo, seja de esquerda (Venezuela) seja de direita (Rússia), leva a sociedades menos abertas ou mesmo a sociedades fechadas.

O Brasil é uma sociedade razoavelmente aberta. Temos democracia, capitalismo, um judiciário independente e direitos humanos. O maior risco para o Brasil é a volta do autoritarismo.  Queremos ser nem uma Venezuela nem uma Rússia.

3. O Presidente ideal

No clima atual de forte polarização política no Brasil, venho relembrar a todos algumas ideias milenares que herdamos dos nossos antepasssados Romanos. Vale a pena uma reflexão sobre, por exemplo, segurança pública, a luz das seguintes palavras de Marco Túlio Cícero:

Se o que nos move a sermos honestos não fosse a própria honradez mas a utilidade ou o interesse, não seríamos bons, mas astutos. Que faria nas sombras quem temesse apenas a testemunha e o juiz? Que faria no deserto, acaso encontrasse um débil e solitário homem a que pudesse despojar de grande porção de ouro? Nosso homem, por natureza bom e justo, dele se aproximará falando e o ajudará a encontrar o caminho. Bem sabeis o que com ele fará aquele que não tem consideração com os demais e que regra a vida pelo interesse; dirá que não tirou a vida ou despojou o solitário viajante, não porque tais atos seriam desonrosos em si mesmos, mas por temor de ser descoberto, ou, por outra, de ser prejudicado. Bela razão da qual tanto os homens cultos como os ignorantes deveriam envergonhar-se!

Na verdade, o maior absurdo é supor justas todas as instituições e todas as leis dos povos. Justas serão as leis dos tiranos? Se aqueles Trinta de Atenas resolvessem impor leis à cidade e se todos os atenienses suas leis tirânicas aprovassem, teríamos de considerá-las justas? … Na verdade, existe um só direito, aquele que une a sociedade humana e que nasce de uma só Lei; e essa Lei é a reta razão, quando ordena ou proíbe. Quem a ignorar é injusto, esteja ou não escrita em algum lugar. Se a Justiça consistisse em obedecer às leis escritas e agir conforme as instituições dos povos, como julga a mesma escola, tudo seria medido pelo padrão da utilidade e qualquer um, quando lhe fosse proveitoso, poderia ignorar ou violar as leis. Resulta daí que não existe justiça, se não assentada na Natureza, e que a justiça fundada na utilidade acaba com qualquer justiça. Se a Natureza não for a base do Direito, acabam todas as virtudes. Realmente, onde ficariam a generosidade, o amor à pátria, o respeito e a vontade de servir aos outros ou de ser grato pela ajuda recebida? Tais virtudes nascem de uma inclinação natural que nos leva a amar os homens, e nela reside o Direito. Não seria apenas o dever com os demais homens que ruiria, também ruiriam os deveres com os deuses, porque, a meu juízo, estes devem conservar-se pelo temor, tendo em vista a união que existe entre o homem e a divindade, e não pelo medo.

A história se repete? Quem conhece a história da Europa sabe que Cícero foi executado.  A República Romana se transformou no Império Romano.  O poder do senado romano foi efetivamente usurpado pelo imperador e a cultura incipiente da democracia romana sofreu uma morte lenta.

4. Um Brasil para todos os brasileiros

Não vivemos em um país apenas de homens brancos ricos. Mulheres são, numericamente, uma maioria no Brasil. Pardos e negros são grande parte da população, na verdade juntos são uma maioria. E há mais pobres que ricos no Brasil. O próximo presidente deve governar para todos, inclusive para as “minorias” que são a maioria.

Idealmente, o próximo presidente deve se esforçar não somente para punir os bandidos mas também para evitar que jovens caem no caminho errado. Não adianta punir, bater, humilhar e oprimir. É necessário nutrir, cultivar, educar e libertar.

Liberdade não significa apenas liberdade econômica. Liberdade implica em poder viver como queremos, sem infringir na liberdade dos outros. Tomemos o exemplo das “drogas” e da sexualidade. A maconha e outras “drogas” devem ser descriminalizadas, seguindo os passos de Uruguay e Canadá com maconha. A população LGBT deve ter seus direitos protegidos. Por que não? Uniões estáveis de poliamor devem ser descriminalizados e regulamentados. Qual o problema? A vida privada das pessoas não deve virar assunto de políticas públicas.

5. Vote no candidato menos mau

Por um lado, um candidato da direita que é simpatizante do militarismo e cujo vice é um general que fala em autogolpe. Sua famosa frase: “Vamos fuzilar a petralhada.” Do outro lado, um candidato competente e inteligente mas que é afiliado ao PT, o partido de Dilma, um partido que está no centro de alguns dos maiores escândalos de corrupção da história do país.

Com candidatos assim, nem devemos perguntar qual deles seria o presidente ideal. Podemos apenas perguntar: Qual desses candidatos é o menos mau?

Não tenho dúvidas. Não posso apoiar um candidato que elogiou e homenageou o notório Coronel Ustra, repsonsável por tortura e mortes extrajudiciais no DOI-CODI. Não quero viver em um Brasil fechado.

Declaro meu voto em Fernando Haddad.

VladimirHerzog

Vladimir Herzog, Diretor de Jornalismo da TV Cultura de São Paulo cometeu “suicídio” no DOI-CODI em 1975. Os militares da época eram tão incompetentes que nem conseguiam simular um enforcamento. É possível se enforcar com os pés tocando o chão? Bolsonaro homenageou Coronel Ustra, que comandou o DOI-CODI até 1974.

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