Natal sedia maior evento de Física da America Latina

Em 2016, pela primeira vez na história do Brasil, o maior evento periódico de Física da America Latina foi realizada na região Nordeste do Brasil, em Natal–RN.  O Encontro de Física 2016, que ocorreu  durante os dias 3–7 de Setembro de 2016, contou com mais de 2.400 participantes.  O evento ajudou a movimentar na cidade de Natal mais de dois milhões de reais.

A Sociedade Brasileira de Física (SBF) tradicionalmente realiza periodicamente os seguintes eventos oficiais: o Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, o Encontro Nacional de Física da Matéria Condensada, o Encontro Nacional de Física de Partículas e Campos, o Reunião de Trabalho sobre Física Nuclear no Brasil, e o Encontro Brasileiro de Física dos Plasmas. Mas em 2016, esses eventos todos foram realizados conjuntamente como parte do Encontro de Física 2016, para comemorar o cinquentenário da SBF.

O evento foi um grande sucesso. Em nome do comitê local da organização do evento, venho registrar aqui grande satisfação e profunda gratidão à Sociedade Brasileira de Física pelo voto de confiânça por realizar o evento em Natal. Agradecemos também o Professor Carlos Chesman da UFRN pelo seu papel fundamental junto à SBF em tomar a iniciativa para trazer o maior evento da America Latina para Natal.

Foi realizado também, durante este período, a cermônia de entrega do título de Doutor Honoris Causa, pela UFRN, ao Professor H. Eugene Stanley.

Seguem abaixo vídeos relacionados ao evento.

Primeiro Dia

Segundo Dia

Terceiro Dia

THE PHYSICS OF LIVING MATTER
Paul Davies (Arizona State University)

 

Entrega do título de Doutor Honoris Causa ao Professor H. Eugene Stanley:

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Abaixo-assinado contra os cortes para Educação e Ciência

Venho pedir a todos que valorizam a ciência a apoiarem essa iniciativa da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Já aderi ao abaixo-assinado.


[Copiado do site da Soc. Brasileira de Física http://www.sbfisica.org.br ]

Em resposta à operação feita pelo Congresso Nacional na Lei Orçamentária Anual — LOA 2017 — que retirou verbas asseguradas das áreas de Educação e Ciência, Tecnologia e Inovação, reatribuindo-as à chamada Fonte 900 (Recursos Condicionados), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência lançou um abaixo-assinado online, a ser encaminhado para o Presidente da República, para reversão da decisão.

A Sociedade Brasileira de Física declara seu apoio à iniciativa e solicita a todos que concordem que assinem o documento e ajudem a divulgá-lo entre seus contatos. Para aderir ao abaixo-assinado, clique aqui.

Resistência nos Comitês Assessores do CNPQ: relato de um participante

[A atual situação no CNPq é alarmante. Venho copiar neste blog texto que apareceu originalmente no site http://ciencianarua.net/resistencia-nos-comites-assessores-do-cnpq-relato-de-um-participante/  .   Não consegui acessar o site e tive que usar o cache da Google search.  Decidi portanto que seria boa ideia guardar uma cópia neste blog.   -Gandhi]

 

(O resumo do currículo do professor Luiz Carlos Soares na Plataforma Lattes informa que ele obteve licenciatura em história pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 1975, bacharelado (1976) e mestrado (1980) também em história pela mesma instituição, e doutorado, de novo em história,  pelo University College London (Universidade de Londres) em 1988. Atualmente é professor titular aposentado  de história moderna e contemporânea do Departamento de História da UFF, professor colaborador do Programa de História da Ciência da Técnica e Epistemologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sócio da Associação Nacional de História e da Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica, membro vitalício do conselho de representantes da Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica, sócio da Sociedade Brasileira de História da Ciência e membro eleito do conselho deliberativo da Sociedade Brasileira de História da Ciência. E é membro titular do Comitê Assessor de História do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq. O resumo nos lembra que a ênfase de sua experiência está em história moderna e contemporânea, história da ciência e da tecnologia e teoria e filosofia da história, atuando principalmente nos seguintes campos de estudos da história social do Rio de Janeiro no século XIX e história da ciência e da tecnologia na Inglaterra no século XVIII.

Ontem, segunda feira, 17 de outubro, ele enviou a colegas um relato muito vivo do que ocorrera ao ter início a reunião dos comitês assessores no CNPq. Hoje, pedi a ele que permitisse que o relato fosse publicado no Ciência na rua. E aí está essa contribuição do historiador par um capítulo da história das agências de fomento à pesquisa no Brasil em tempos confusos que adiante poderemos nomear, quem sabe, “Dias de resistência”. Aproveitem a narrativa – Mariluce Moura)

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Dia difícil hoje, no CNPq. Era o primeiro dia de reunião dos Comitês Assessores (CAs) para avaliação dos pedidos de bolsa de produtividade depois da instauração da nova “ordem temerária”. Chegamos com a notícia transmitida pelos funcionários de que não somente não seria possível a concessão de novas bolsas para pesquisadores 2, como também teríamos que proceder a um corte de 20 a 30 % em relação ao número de bolsas já existente. Isso significaria que teríamos que cortar de 20 a 30 % dos pedidos dos pesquisadores que já estavam no sistema de bolsas, o que implicava que não faríamos a “renovação de suas bolsas”, para usar uma terminologia antiga.

Imediatamente, no CA de História, dissemos ao técnico-administrativo que acompanha a área que não faríamos os cortes e encaminharíamos a aprovação dos pedidos que deveriam ser aprovados, na nossa análise. O CA não assumiria este ônus. Em seguida, procuramos os colegas de outros CAs para discutir a situação e todos também manifestaram sua insatisfação contra os cortes e uma pequena comissão, da qual eu fazia parte, foi procurar a Coordenadora de Ciências Humanas e Sociais, que também é responsável pelo setor de bolsas de produtividade, e expôs a contrariedade dos CAs em relação à medida. Esta funcionária também manifestou o seu desconforto em relação à situação.

Então, solicitamos a realização de uma reunião para amanhã para discutirmos coletivamente o problema. Ao voltarmos para as nossas salas, decidimos que entraríamos em contato com as nossas associações representativas, com a SBPC, com a ANDIFES, reitores, pró-reitores, etc., para um movimento de pressão pra sustação da medida. Obviamente, a notícia correu o Brasil e as pressões foram feitas sobre o CNPq e o “Ministério Conglomerado” que reúne Ciência, Tecnologia e Comunicação.

Depois disso, fomos convocados para uma reunião com o Presidente Interino do CNPq, às 17 horas, onde ele procurou explicar que esta situação não é definitiva e se vincula ao horizonte de redução da verba do CNPq no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, que está no Congresso, e reduz a dotação do CNPq de R$ 1.500.000.000,00 para R$ 1.300.000.000,00 no próximo ano. Segundo ele, na realidade, nenhum corte de bolsas estaria definido, mas seria necessário o estabelecimento de cenários para a possível definição de cortes de 20 a 30 %, se isso fosse imperioso, no futuro.

Seguiu-se o debate com os membros dos CAs e, mais uma vez, muitos reafirmaram em suas falas que não estavam dispostos a realizar estes cortes. E, mais ainda,  se não havia cortes definidos, não haveria necessidade de se estabelecer cenários ou simulações de cortes. Ao final, o presidente interino do CNPq, aceitou a nossa posição e disse que deveríamos continuar a realizar as avaliações sem o estabelecimento de nenhum cenário restritivo. Julgamos que, por enquanto, foi uma pequena vitória, que se deveu  a atuação dos membros dos CAs e também a pressão externa realizada sobre o CNPq e o “Ministério Conglomerado”.

Todavia, temos plena certeza de que estaremos atuando todo o tempo sob ameaça de cortes e redução de orçamento e que a nossa tarefa, enquanto membros dos CAs, é estabelecer uma trincheira de resistência interna, no CNPq, para que o atual governo não venha a sacrificar mais ainda o apoio desta agência à produção científica e tecnológica de nosso país. Esperamos que toda a comunidade científica e universitária também continue a se manifestar contra a destruição dos mecanismos de apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico, que está embutida na ação do governo Temer, e na defesa de uma perspectiva de produção de conhecimento autônoma para o Brasil.

Writing a paper in E-prime

Many top scientists communicate clearly, sometimes seemingly effortlessly. The papers by Einstein flow elegantly in clear and logical steps, almost as if choreographed, from one idea to the next. Some articles even have qualities more commonly seen in great works of art, for example, Dirac’s seminal book on quantum mechanics or Shannon’s paper introducing his celebrated entropy. What a pleasure to read! Most physicists similarly recognize Feynman as a master of clear communication.

Before I became a grad student, I had underestimated the importance of good and effective communication. My former PhD advisor, an excellent communicator, taught me the crucial role played by communication in scientific discourse and debate.

Let me explain this point in greater detail. As an illustrative example, imagine if Einstein had not written clearly. Then it may very well have taken much longer for his ideas to percolate and gain acceptance throughout the scientific community. Indeed, Boltzmann, in contrast to Einstein, wrote lengthy and admittedly difficult-to-read texts. Some of his critics perhaps  failed to grasp his seminal ideas. Disappointed and possibly depressed, he eventually committed suicide while still in his prime. Today, the top prize in the field  of statistical physics honors his name— the Boltzmann Medal. Nevertheless, it took many years and the efforts of other scientists (e.g. Gibbs) for the physics community to recognize the full extent of Boltzmann’s contributions.    Clear exposition can make a big difference.

In this blog post, I do not give tips or advice about how to write clearly. Good tips on how to write clearly abound.  Instead, I want to draw your attention to how this article does not contain a single instance of the verb “to be” or any of its conjugations or derived words, such as “being,” “was,” “is,” and so forth — excepting this sentence, obviously. The subset of the English language that remains after the removal of these words goes by the name E-prime, often written E’. In other words, E’ equals English minus all words derived from the above-mentioned verb.

Writing in E’ usually forces a person to think more carefully. Scientists need to communicate not only clearly, but with a slightly higher degree of precision than your typical non-scientist. I have found that fluency in E’ helps me to spot certain kinds of errors of reasoning. The key error of reasoning attenuated by the use of E’ relates to identification.   Too often, the referents of the grammatical subject and object become identified in standard English, where in fact no such identification exists in the real world.  E’ helps to reduce this improper identification, or at least to call attention to it.  The topic of E’, and of related subjects, such as  its ultimate historical origins in general semantics, the study of errors of reasoning, the nature of beliefs, cognitive biases, etc., would require too broad a digression for me to discuss here, so I recommend that interested readers research such topics on their own.

In my early 30s, soon after I obtained tenure in my first faculty position, I decided to write a full article entirely in E’.  What a wonderful and interesting exercise!  Of course, I did not find it easy to write in E’, but with few exceptions, the finished paper contained only E’ sentences.  Forcing myself to think and write in E’ helped me to give a better description of what we, as scientists, really did.  I would cautiously claim that writing in E’ benefited our paper, at least as far as concerns clarity and precision.  No longer do I publish papers in E’, but I learned a lot about how to write (and think) a little bit more clearly.

That paper, about an empirical approach to music, appeared in print in 2004 in the statistical physics journal  Physica A. It eventually ended up cited very well: 33 citations according to  Thomson Reuters’  Web of Science and 60 citations on Google Scholar, as of May 2016.  Most incredibly, it even briefly shot up to the top headline at Nature.com (click here to see)!  We had never expected this.

In that paper, my co-authors and I proposed a method for studying rhythmic complexity. The collaboration team included as first author Heather Jennings, a professor of music (and also my spouse). We took an empirical approach for comparing the rhythmic structures of Javanese Gamelan, Jazz, Hindustani music, Western European classical music, Brazilian popular music (MPB), techno (dance), New Age music, the northeastern Brazilian folk music known as Forró and last but not least: Rock’n Roll. Excepting a few sentences, the paper consists entirely of E’ sentences.

You can read the paper by clicking here for the PDF. A fun exercise: as you read the paper, (1) try to imagine how you would normally rephrase the E’ sentences in ordinary English; (2) try to spot the subtle difference in meaning between the English and E’ sentences.

 

Colóquio na USP sobre movimento de animais

Aqui está o link para o video de um Colóquio que proferi na USP em 09/04/2015. A palestra está em português, embora o título esteja em inglês.   Esse assunto representa o “feijão com arroz” das minhas pesquisas na área de física estatística aplicada.

Vale a pena também destacar que o professor que me apresenta no início do video é o professor titular Mario de Oliveira, autor do livro sobre termodinâmica que virou referência no Brasil. Seu livro é frequentemente usado como texto principal junto a disciplinas de termodinâmica nos cursos de graduação em física.

Scale invariance, random walks and complex networks

Here is the link to a youtube video of a talk I gave at the International Institute of Physics (IIP) at UFRN, in Natal, Brazil.  It is one of many talks given by invited lecturers at the school on Physics and Neuroscience, which was held at the IIP during 11 to 17 of August 2014.

This talk touches on the bread and butter of my research activities.  It should be completely or almost completely understandable to anyone at least midway through an undergraduate degree in the sciences. Since the participants in the conference came from diverse backgrounds, I had made a special effort to avoid the use of jargon and to speak in as clear a language as I could. (It is probably the longest talk I have given about my research.)

An explanation about the initial statement regarding elves and hobbits, etc.:  These comments  refer to a running “inside joke” at the school, contrasting the distinct scientific cultures of the participants, for example biologists vs. applied mathematicians and physicists etc.

 

Fermionization of the 2-D Ising model: The method of Schultz, Mattis and Lieb

F. A da Costa, R. T. G. de Oliveira, G. M. Viswanathan

This blog post was written in co-authorship with my physics department colleague Professor Francisco “Xico” Alexandre da Costa and Professor Roberto Teodoro Gurgel de Oliveira, of the UFRN mathematics department. Xico obtained his doctorate under Professor Sílvio Salinas at the University of São Paulo. Roberto was a student of Xico many years ago, but left physics to study mathematics at IMPA in Rio de Janeiro in 2010. During 2006–2007, Roberto and Xico had written up a short text in Portuguese that included the exact solution of the Ising model on the infinite square lattice using the method of fermion operators developed by Schultz, Mattis and Lieb. With the aim of learning this method, I adapted their text and expanded many of the calculations for my own convenience. I decided to post it on this blog since others might also find it interesting. I have previously written an introduction to the 2-D Ising model here, where I review a combinatorial method of solution.

1. Introduction

The spins in the Ising model can only take on two values, {\pm 1}. This behavior is not unlike how the occupation number {n} for some single particle state for fermions can only take on two values, {n=0,1}. It thus makes sense to try to solve the Ising model via fermionization. This is what Schultz, Mattis and Lieb accomplished in their well-known paper of 1964. In turn, their method of solution is a simplified version of Bruria Kaufman’s spinor analysis method, which is in turn a simplification of Onsager’s original method.

We will proceed as follows. First we will set up the transfer matrix. Next we will reformulate it in terms of Pauli’s spin matrices for spin-{\tfrac 1 2} particles. Recall that in quantum field theory boson creation and annihilation operators satisfy the well-known commutation relations of the quantum harmonic oscillator, whereas fermion operators satisfy analogous anticommutation relations. The spin annihilation and creation operators {\sigma_j^\pm } do not anticommute at distinct sites {j} but instead commute, whereas fermion operators must anticommute at different sites. This problem of mixed commutation and anticommutation relations can be solved using a method known as the Jordan-Wigner transformation. This step completes the fermionic reformulation of the 2-D Ising model. To obtain the partition function in the thermodynamic limit, which is the largest eigenvalue of the transfer matrix, one diagonalizes the fermionized transfer matrix using appropriate canonical transformations.

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